home #amoteatromf Dorotéia por Jorge Farjalla

Dorotéia por Jorge Farjalla

Escrita em 1949, “Dorotéia” fecha o ciclo das obras do Teatro Desagradável, assim intitulado por Nelson, e sucede “Álbum de Família” (1945), “Anjo Negro” (1946) e “Senhora dos Afogados” (1947). As Obras Míticas, chamadas assim pelo crítico Sábato Magaldi, foram efetivamente o momento de reflexão do autor e trouxeram outro universo para atores, diretores e críticos em geral. São obras poéticas, viscerais, sobretudo simbólicas e repletas de signos. A peça “Dorotéia” talvez seja a que menos agrida socialmente por se tratar do culto à beleza e do que ele representa.
Mas há nas entrelinhas um objeto maior do que o da destruição dessa beleza (tema central da obra), que é o amor.

O Amor em “Dorotéia”

Comecei a olhar a obra pelo universo do amor improvável, pelo abandono e ausência desse amor – “… eu sei o que aconteceu com a nossa bisavó, sei que ela amou um homem e se casou com outro…”.
Decidi então ‘abandonar’ as indicações do Nelson sobre os personagens, assim como padrões de cores – “… três viúvas em luto fechado…”, os leques, as máscaras. Resolvi escancarar o amor para as primas D. Flávia, Maura e Carmelita, e para a própria Dorotéia.
Lembrava-me da histeria do início do século XIX, em que as mulheres encontravam na masturbação a ‘redenção’
para suas vidas. Todo esse universo me aproximava de Lorca e a sua “A Casa de Bernarda Alba”, por refletir sobre o amor enclausurado, escondido, desmedido e capaz de mudar àqueles que cercam a pessoa tomada por ele. As vontades e desejos em “Dorotéia” passaram a refletir no texto de Lorca e ficaram cada vez mais reprimidas na farsa
de Nelson: era como um espelho!

Senti a necessidade de trazer, não só simbolicamente, mas fisicamente, a presença do ’falo’, do masculino ao ‘jogo’, e estão aqui para reforçar que a vontade de amar e o desejo são iminentes.

O mito das três Bruxas, das Moiras, das Eríneas Ferozes trouxe à mítica de “Dorotéia” um ‘tempero’ às três primas do texto. “A Primavera” de Botticelli foi outro ponto de pesquisa para a encenação. A atmosfera de sonho, de rito, de fantasia, de improvável do quadro, me provocava e estimulava o pensamento sobre o irreal na obra de Nelson Rodrigues.
O quadro explicitava todos os personagens, a textura, o movimento,
a paleta de cores, a luz e o lirismo.

Em um momento em que o amor virtual impera e o culto ao corpo sobrevive, “Dorotéia” bate à sua porta para te colocar frente a frente com seu espelho.

Você vai se olhar?

Jorge Farjalla

***foto de Carol Beiriz

78 thoughts on “Dorotéia por Jorge Farjalla

Comments are closed.

Situs sbobet resmi terpercaya. Daftar situs slot online gacor resmi terbaik. Agen situs judi bola resmi terpercaya. Situs idn poker online resmi. Agen situs idn poker online resmi terpercaya. Situs idn poker terpercaya.

situs idn poker terbesar di Indonesia.

List website idn poker terbaik.

Permainan judi slot online terbaik

slot hoki terpercaya

agen bola terpercaya Agen bola bandar bola terbesar link judi slot judi online slot casino live skor