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LOU&LEO

Release

Léo Moreira Sá e Beatriz Aquino

em

LOU&LEO

Em cartaz no Espaço dos Satyros I

Argumento Léo Moreira Sá
Dramaturgia Nelson Baskerville e Léo Moreira Sá
Direção Geral Nelson Baskerville

O artista e ativista transexual Léo Moreira Sá, ex-bateirista de “Mercenárias”, primeira banda de punk rock feminina do Brasil, narrasua trajetória em busca de sua identidade desde a sua vinda do interior pra São Paulo, os movimentos feministas dos anos 80, USP, a dependência da cocaína e a conseqüente prisão em 2004 até ganhar o premio Shell 2012 de iluminação junto a Cia de Teatro “Os Satyros”.

Lou&Leo
meus projetos pessoais terão que esperar
Por Nelson Baskerville

Em maio de 2012, após a apresentação de Luís Antônio-Gabriela no Páteo do Colégio, fazendo parte da Virada Cultural Paulista, Léo Moreira Sá me procurou. Antes disso eu tinha tido um breve encontro com ele como responsável técnico no teatro dos Sátyros. Gabriela o tinha tocado. Ele então me convidou para uma mesa de discussões sobre Teatro e Diversidade Sexual na qual fui com prazer. Era uma continuação de uma dívida que eu contraíra com Luís Antônio; e depois da estreia do espetáculo em 2011, nunca deixei de atender a um só convite que discutisse esse assunto. Continuo assim, com prazer. Quando Léo fez uso do microfone falando da transexualidade com tanta propriedade eu não conseguia entender qual a ligação dele com tal assunto. Talvez ele também tivesse um irmão, irmã, parente transexual. Saí do encontro sem saber e sem perguntar. Nessas ocasiões meus antepassados ingleses gritam na minha alma: nunca faça uma pergunta capaz de constranger o outro ou a si próprio. Logo depois ele me procurou novamente para me convidar a dirigir um espetáculo que falava de sua vida e na primeira reunião constatei. Léo havia sido Lou. Não consegui disfarçar o espanto e fascínio que tive ali na frente dele. A história que ele queria contar era novamente um Luís Antônio-Gabriela invertido. Eu poderia, por questões de carreira, declinar para não repetir o assunto, para não ficar marcado ou para não acharem que eu achei na diversidade “o meu filão”. Claro que essa ideia horrorosa do inferno em que vivemos também passou pela cabeça. Mas ao mesmo tempo eu não hesitei um só momento. Não disse um “vou pensar”, “vou ler o texto antes”, porque não se tratava só de mim, eu tenho consciência do que despertei depois de Luís Antônio. E não há nenhuma “questão de mercado” que me impeça de fazer aquilo que eu tenho que fazer. Gosto do Brecht quando ele diz que a arte deve se preocupar com as “tragédias que poderiam ser evitadas”. Experimentei isso com relação ao meu irmão/irmã e vi em Lou&Leo novamente a mesma história, o mesmo preconceito, a mesma descriminação. O espetáculo é mais um documentário cênico performático que me desafia e me tira noites. Léo não é ator, é cara-de-pau, como ele mesmo gosta de dizer. Um homem contando a própria história no palco. Uma vida rica. Um homem em um corpo feminino que desceu ao Hades e voltou para passar a experiência (se não for assim nada faz sentido na vida). Um menino que um dia é obrigado a vestir uma saia para poder ir à escola. A vinda pra São Paulo; ele é natural de São Simão, perto de Ribeirão Preto. O abuso sexual. A entrada na USP, a entrada nas “Mercenárias” onde foi baterista. A história de amor com Gaby, uma travesti com quem ele casou. O envolvimento com as drogas, o tráfico, a prisão em 2004 e o ingresso na Companhia dos Sátyros que lhe valeu, junto com Rodolfo Garcia Vazquez, o premio Shell de iluminação de 2012.
A discriminação é um erro que cometemos como humanidade. Faço Lou&Leo para entender melhor o que é gênero (descobri que são muitos e não precisam de rótulos). Para entender melhor o humano e as mentiras que nós nos contamos como humanos.

Sobre Léo Moreira Sá

Em 1980, Lou Moreira ingressou no curso de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, mas não chegou a concluir porque entrou em 1984 na lendária banda de punk rock dos anos 80, as Mercenárias, ocupando o banquinho da bateria que antes havia sido ocupado por Edgar Scandurra, o guitarrista do IRA! Em 1985 foi lançado o primeiro disco “Cadê as armas”, pelo sêlo independente “Baratos Afins” e em 1987, o segundo disco “Trashland” pela EMI-odeon! A banda acabou em 1980, mas se tornou um clássico do Rock Nacional, obtendo reconhecimento internacional com o lançamento da coletânea póstuma: “Beginning of the End of the World: Brasilian Post-Punk 1982-85” na Inglaterra em 2005! Com o fim da banda, Lou Moreira se tornou empresária abrindo um Café no C.A. XI de agosto da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e depois uma casa noturna em 1995, a “Circus”! Nessa época, viveu um momento de muitos conflitos acerca de sua identidade de gênero, que a levou ao consumo desenfreado da cocaína, perdendo o controle de sua vida emocional e financeira! Há 8 anos longe das drogas, assumiu sua transexualidade e com sua identidade redefinida como Leo Moreira Sá, reconstrói sua vida como ator e iluminador das artes cênicas, desde 2009 na Cia de Teatro Os Satyros, sendo reconhecido em seu primeiro trabalho como iluminador com o Prêmio Shell 2012 na categoria melhor iluminação pelo espetáculo Cabaret Stravaganza!

Ficha Técnica

Argumento Léo Moreira Sá
Dramaturgia Nelson Baskerville e Léo Moreira Sá
Direção Geral Nelson Baskerville
Assistente de direção Sandra Modesto
Com Léo Moreira Sá e Beatriz Aquino
Participação Lucas Braga e Tom Garcia
Figurinos Marichilene Artsevskis
Cenário Nelson Baskerville e Amanda Vieira
Vídeos Lucas Beda
Iluminação e Trilha sonora Nelson Baskerville e Leo Moreira Sá
Projeto premiado pelo PROAC LGBT

Serviço

LOU&LEO
SATYROS I
R. Praça Roosevelt, 214 – Informações: 3258-6345
Bilheteria: aberta 1 hora antes do espetáculo
 
Terças e  Quartas às 21h
 
Ingressos: R$ 30
Duração: 50 minutos
Recomendação: 16 anos
Gênero: documentário
Estreia dia 06 de agosto
Curta Temporada: até 25 de setembro

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