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SEDE de Eugene O´Neil

Depois do sucesso de público e crítica da primeira temporada no Canal de youtube do Centro Cultural São Paulo, a Cia Triptal retorna com sua montagem em versão filmada para exibição on-line gratuita de

“SEDE”

de Eugene O’Neill

Texto escrito em 1914 e nessa montagem com direção de André Garolli

traz no elenco Camila dos Anjos, Fabrício Pietro e Diego Garcias.

       De 28 de maio a 13 de junho (sexta, sábado e domingo) às 20h       

Acesse, gratuitamente, Canal Youtube Centro Cultural São Paulo

Duração: 60 minutos

Contemplada pelo Proac Lab 36 do Estado de São Paulo a Cia Triptal avança para nova etapa com o texto SEDE, escrito em 1914 por Eugene O’Neill, propondo agora uma encenação gravada diretamente do palco do Teatro Gamaro. No elenco estão Camila dos Anjos e Fabrício Pietro, parceria bem realizada no trabalho mais recente da companhia “Inferno, Um Interlúdio Expressionista”, de Tennessee Williams. Soma-se no palco o jovem ator Diego Garcias, convidado após audição.

O diretor André́ Garolli realizou uma investigação profunda sobre a obra de Eugene O’Neill. Dirigiu diversas peças do dramaturgo, entre elas, “Luar sobre o Caribe”, “Longa Viagem de volta para casa”, “Macaco Peludo”, “Rumo

a Cardiff” (03 indicações ao Prêmio Shell, 2006) e “Zona de guerra” (Prêmio APCA – Melhor espetáculo teatral, 2006). Com 30 anos no comando das produções da Cia Triptal, Garolli retoma o caminho do mar que tanto inspirou a companhia.

Sede foi escrita apenas dois anos após o naufrágio do Titanic, o que pode ter influenciado O’Neill a escrever uma peça dessa natureza.

Um Cavalheiro, uma Bailarina e um Marinheiro estão à deriva em uma balsa sem comida e água, longe das rotas comuns de navegação, cercados por tubarões e progressivamente enlouquecendo. SEDE é uma peça sobre a luta por um sentido de humanidade em estruturas colapsadas.

Qual seria a dose precisa de humanidade para a humanidade não colapsar?  

A peça aborda em muitos aspectos a natureza humana e a filosofia dos comportamentos, e isto já́ seria material suficiente para discorrer em defesa da essencialidade deste texto, porém há́ analogias circunstanciais presentes nesta obra e que ampliam sua atualidade e as possibilidades de um amplo diálogo com o público. 

– Deve ser horrível ouvir os gritos dos que estão morrendo.

– O que nós fizemos pra ter que sofrer assim?

– É como se uma desgraça após a outra acontecesse pra tornar nossa agonia mais terrível.
– Para isso serviram todos os meus anos de trabalho? 

– Já́ não me lembro mais dos dias.
– Que criaturas dignas de pena somos nós.

Estas frases reunidas aleatoriamente estão presentes no texto escrito por O´Neill. Frases que poderiam ser ditas neste episódio recente dos nossos tempos, o surto coletivo, pandêmico, enquanto buscamos no isolamento e no distanciamento chances de sobrevivência. As certezas que sempre asseguraram nossos planos e ambições colapsaram, mas as barreiras que delimitam os territórios sociais seguem inabaláveis, definindo quem entre quem será sacrificado primeiro. Estamos todos cercados. Há um inimigo invisível, letal e oportunista a espreita. Dizem que aguarda pelos mais fracos.

Sinopse: na trama Eugene O’Neill reúne em um mesmo bote salva-vidas um homem branco vestido em traje de gala (Fabrício Prieto), uma mulher branca vestida em traje elegante de uma dançarina (Camila dos Anjos) e um homem negro vestido em seu uniforme de marinheiro (Diego Garcias). Três figuras com papéis sociais bem definidos e que semanas antes ocupavam lugares distintos no navio que naufragou. Sem demais sobreviventes à vista estão os três à deriva, em alto mar, confinados, limitados e rodeados por tubarões. Impulsivamente, cada um resgatou do navio, em tempo, um único objeto, aquele que mais lhe representa em vida, contudo todos carecem de algo mais elementar, comida e água. Só lhes resta esperar, questionar ou desesperar.

Para a encenação inédita o time ganhou reforço de uma equipe artística completa. Beto França, parceiro de longa data da Triptal, apostou em efeitos especiais da maquiagem para desgastar o aspecto das personagens. A figurinista Telumi Hellen, estreante na companhia, propõe em sua criação a desconstrução das castas que cada personagem simboliza. O cenário foi criado por Júlio Dojcsar propõe o isolamento e a dificuldade   entre os náufragos. A luz é uma criação de André Garolli em parceria com Sendi Moraes e estabelece um contraponto entre realidade e ilusão. A fotografia de vídeo é de Tato Vilela e a produção de vídeo da produtora Kroon.

Em 2020 a Cia Triptal apresentou ao público uma leitura encenada do texto SEDE, com transmissão única e ao vivo pelo facebook e youtube. Na ocasião o trabalho foi realizado de forma remota com cada ator em sua casa. Ao apostar em uma iluminação básica e em uma linguagem simples que priorizava o entendimento do texto, a leitura alcançou ótima aceitação com 1,8 mil visualizações nas redes.

A PRESENÇA DO CORPO NEGRO E O PACTO DA BRANQUITUDE

Ao conceber SEDE, O’Neill introduz a figura de um marinheiro, mas lhe atribui outra característica que é a condição de ser um marinheiro negro. Este fato não é algo que deve passar despercebido, mas que deve ser analisado de maneira minuciosa, de forma a levantar alguns questionamentos sobre a discussão racial presente no texto.

A pesquisadora Maria Aparecida Bento, em sua tese de doutorado defendida na USP, cunhou a expressão “pacto narciso de branquitude”, um acordo silencioso entre pessoas brancas que se contratam, se premiam, se protegem.

Este pacto de branquitude está presente na peça e é o que une o Cavalheiro e a Dançarina nos seus diálogos conspiratórios contra o marinheiro.

A cumplicidade que se estabelece entre os dois faz com que encontrem o “bode expiatório” perfeito para culpabilizar o negro pela morte iminente.

A discussão sobre a representatividade e o protagonismo negro é uma questão que influencia o pensamento e a produção artística atual. É um debate que tem possibilitado instrumentos para disputar a narrativa da história do modo que nos foi contada e mais do que isso criar novas.

São muitas as novas dramaturgias que surgem e colocam a figura do negro em outro lugar e sob outra perspectiva, mas existem também peças de autores consagrados, como Sede em que propicia um olhar sobre a situação estrutural do negro e que merece um estudo aprofundado.

O AUTOR


Eugene Gladstone O’Neill (Nova Iorque, 16 de outubro de 1888 – Boston, 27 de novembro de 1953) foi um dramaturgo anarquista e socialista estadunidense. Recebeu o Nobel de Literatura de 1936 e o Prêmio Pulitzer por várias vezes. Suas peças estão entre as primeiras a introduzir as técnicas do realismo influenciado principalmente por Anton Tchekhov, Henrik Ibsen e August Strindberg. Sua dramaturgia envolve personagens que habitam as margens da sociedade, com seu comportamento desregrado, tentando manter inalcançáveis aspirações e esperanças do ‘milagre norte-americano’. Tendo escrito apenas uma comédia, (Ah, Wilderness!), todas as suas peças, desenvolvem graus de tragédia pessoal e pessimismo. Sua dramaturgia influenciou reconhecidamente um importante dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, além de uma de suas peças, O Imperador Jones (The Emperor Jones), ter sido o ponto de sua partida do Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento.

Ficha Técnica:

Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e Cia Triptal 30 anos apresentam:

SEDE (1914)

Autor – Eugene O’Neil

Direção Artística – André Garolli

Elenco – Camila dos Anjos – Fabrício Pietro – Diego Garcias

Voz off: Denise Weinberg

Cenografia: Julio Dojcsar

Figurino: Telumi Hellen Yamanaka

Assistente de figurino: Mariana Morais 

Visagismo e maquiagem: Beto França 

Desenho de Luz: André Garolli 

Técnico de luz: Rodrigo Alves (Salsicha)

Técnico assistente de luz: Rafael Augusto Moreno Parra 

Produção executiva: André Garolli e Fabrício Pietro

Assessoria administrativa e de produção: Maristela Bueno

Assessoria de Imprensa: Morente Forte

Gerenciamento de mídias online: Carol Rossi e Fabrício Pietro

Design gráfico: Nando Medeiros

Fotografia (steel): Carla Gobbi e Catherine Gobbi

Apoio Cultural – Kroon

Equipe Audiovisual 

 Kroon  – produção

Diretor de produção: Felipe Janowsky

Produtor executivo: Evandro Ragonha

Coordenadora sr. de produção: Mariana Milanez

Produtor: Bruno Sechini

Assistente de produção: Eloah Sat

Assistente de produção – Felipe Agresta (Milk)

Coordenadora de pós produção: Beatriz Hatori

Editor: Andreas Couto 

Garagem filmes – suporte técnico

 Diretor de fotografia: Tato Vilela

Desenho de luz: Sendi Morais 

Operador de câmera: Felipe Agresta (Milk) 

Operador de câmera: Arthur Machado 

Técnico de som: Ivan Muniz

Greyhound media – transmissão

 Diretor de transmissão: Mário Costa Junior 

Equipe Teatro Gamaro:

Conservação: Dayane Louise Oliveira

Coordenadora: Monize Bueno

Analista de eventos PL: Thiago Cavalcante

Equipe protocolo Covid-19

Enfermeira: Majorie Santos

Consultoria Covid-19: BioSafe

Laboratório testes Covid-19: Mendelics

Comercial Mendelics: Aline Bastos 

Comercial Mendelics: Kleber Silva 

Serviço de catering: Food Film

Fiscal de set – protocolo Covid: Eloah Sat 

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